Porto Alegre Aberta – Urbanismo UFRGS 1968

Porto Alegre Aberta – 1968

Uma projeção no futuro, de acordo com os conhecimentos científicos e com
a esperança de soluções reais e honestas. A idealização de um sistema aberto de liberdades urbanas.

4º ano, Faculdade de Arquitetura UFRGS

Equipe Claudio Cunha, Claudio Ferlauto,

Getúlio Picada, Paolo Giora,
Pedro Mohr, Rodildo Goldmeier.

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Trinta e quatro anos depois, a crítica do arquiteto e professor
Moacir Moojen Marques.*

No primeiro semestre de 1968 um grupo de alunos —Cidade Aberta (SIC) de
Claudio Cunha, Claudio Ferlauto, Getúlio Picada, Paolo Giora, Pedro Mohr, Rodildo Goldemeier da cadeira de urbanismo, num gesto de protesto, não aceitou desenvolver o tema dado, propondo uma solução projetual na qual eram enfatizadas a  visão semiológica (SIC), a exaltação da tecnologia e as atividades lúdicas:

[…] uma organização espacial que corresponda a uma nova forma de sociabilidade, […] abaixo a formação de arquitetos românticos e a arquitetura legal das autoridades, abaixo as esporas e as bombachas […] perceber os sistemas universais antes de morrer nos Pampas […] Façamos tudo em liberdade: o espaço livre, o solo livre, a cultura livre, o trabalho livre […] “Abaixo as elites vegetais, em comunicação com o solo.”
[Manifesto Antropofágico, 1928, Oswald de Andrade].

¶ O projeto propôs em sua parte física, no sítio de contorno  de Porto Alegre, a implantação de módulos hexagonais, cada um com seis blocos de 50 pavimentosde altura ligados entre si ao centro urbano e à cidade atual por monotrilhos a 40 metros de altura. Os edifícios eram servidos por “metrô” verticais. Quando destinados a habitação, tinham na parte central do hexágono o comércio. Plataformas alternadas a cada seis pavimentos possuiam jardins e na cobertura, heliportos para atender [entre outros fins] serviços médicos. O imenso espaço entre os módulos era constituído de parques destinados às atividades lúdicas.

¶ Os professores compreenderam o sentido e a motivação dessa atitude, bem como o esforço da pesquisa apresentada no relatório, em que pese todo o trabalho ter sido desenvolvido afastado das aulas. Não entender aquelas propostas ou limitar a vontade de propor conselhos diferenciados no recinto universitário seria o mesmo que não entender os propósitos da Ville Radieuse de Le Corbusier, já polemizado em 1938. Achávamos que, embora louvável
a inquietação, vetor de estímulo à atualização da própria cadeira de Urbanismo (e por isso deveria ser aceita), não cabia contudo deixar de lado o currículo básico de formação profissional do arquiteto, consumindo todo o escasso tempo de faculdade para indagações somente desse nível, o que era a pretensão do grupo, que evidentemente desgostou-se, usando sua liderança para manifestação oportuna. [O movimento de reforma curricular intitulado Nosso ensino é uma farsa].

* Nove anos e meio em Arquitetura UFRGS – 50 anos de história, organizado
por Salma Cafruni e Flávia Boni Licht, Porto Alegre, Editora    0da  UFRGS, 2002.


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