EDITANDO DESIGN
A montagem da mostra Ícones do design – Brasil–França é uma aula de design. Tem as mãos dos curadores mas deve sua qualidade editorial também à cenografia de Zaven Paré, seus assistentes e outros participantes da montagem, realizada no Museu da Casa Brasileira em agosto e setembro de 2009, em São Paulo. ¶ Se ela fosse uma composição tipográfica, seria um texto composto de forma centralizada, já que a mostra é uma conversa de semelhantes, um diálogo mudo entre iguais —ou melhor, parecidos— ora falando francês ora, português. ¶ Para exemplificar, na sala brasileira, à direita de quem entra, uma vitrine no nível do piso, ocupando toda a largura da sala, expõe dezenas de sandálias Havaianas, do mesmo modelo, da mesma cor, iguais. No lado oposto, em posição simétrica, uma vitrine semelhante, mostra dezenas de canetas Bic, cristal, azul, comuns, iguais. São talvez os ícones mais encantadores e surpreendentes da mostra, mas o que nos arrebata é o fato de que depois de olharmos as Havaianas (ou as Bics) e quando seguimos para a outra sala e nos deparamos com as canetas (ou com as sandálias) o olhar detona um diálogo interno elucidador do pensamento projetual de seus criadores. ¶ Na sala central, uma conversa de comadres se desenrola entre as cadeiras brasileiras e as francesas: a Rainbow Chair, desenhada em 2000 por Patrick Norguet parece perguntar para a Poltrona Mole (design de 1957) como ela consegue se manter tão atual diante de formas e tecnologias que Philip Starck desfila soberano por todos os ambientes da mostra. E tem mais conversas: o Demoiselle (Santos Dumont, 1907) tenta um papo cabeça com o Concorde (Russel, Satre, Strang e Servanty, 1967) já que ambos não voam mais. ¶ Como toda mostra de design as velhas e novas cadeiras reinam absolutas: são 17 assentos que exibem desenhos de Le Corbusier, Jean Prouvê e Stark —pelo time da França— a Paulo Mendes da Rocha, Zanine Caldas e Carlos Mota pelo lado do Brasil. E lá estão outras estrelas: o Peugeot 403 (1955) de Pininfarina, o Legacy 600 da Embraer, a bicicleta motorizada E-Solex (1946, redesenhada pela Pininfarina em 2006) debatem com a Cadeira vermelha e as Melissas dos Irmãos Campana, sobre o que é mesmo ser um ícone? Se você perdeu essa aula, o que é lamentável para quem gosta de design, procure pelo menos conhecer seu catálogo. ¶ Claudio Ferlauto



¶ Trocando as palavras era digital por industrialismo e .com por indústria, o texto retorna á forma original escrita por Eric Gil, em 1931. ¶ O texto está grafado em português de Portugal, e faz parte do livro Ensaio sobre tipografia, editado em 2003, pela Almedina, único sobre tipografia escrito por Eric.
Claudia é designer e professora de design na área digital e gráfica, além de artes contemporâneas. Tem diversos textos publicados em livros e anais de congressos da área. Doutora em comunicação e Semiótica pela PUC SP, atualmente (livre para tomar sol e ir a praia) vive e trabalha (UFSC) em Florianópolis, Santa Catarina. ¶ Passa a colaborar nesse Olhar Gráfico digital com toda a sua energia e criatividade. ¶ Bem-vinda.
¶ A designer Renata Rubim desenvolve em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, um trabalho pioneiro na área do design, que dá respeitabilidade ao trabalho de profissionais envolvidos no desenho e produção de inúmeros produtos presentes no nosso cotidiano. ¶ Ela trabalha com Design de Superfície, atividade que, desde os primórdios da Revolução Industrial, qualifica produtos como tecidos e louças, isto é, superfícies bem tratadas e bem desenhadas em tecidos, tapetes, garrafas térmicas, pratos, xícaras e muitos outros produtos, como podemos conhecer e reconhecer no livro de Renata. ¶ Escrevi em 2005 esse pequeno texto para apresentar o livro Desenhando a superfície —Rosari, São Paulo— que colocou o trabalho de Renata visível para muitos designers. Desde então passou a ser chamada para mostrar seu trabalho, dar workshops e cursos por todo Brasil. Agora estará presente nesse Olhar Gráfico eletrônico. Seja bem-vinda.