Arquivo de outubro de 2009

Olhar Gráfico na revista Abigraf #243

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

EDITANDO DESIGN

A montagem da mostra Ícones do design – Brasil–França é uma aula de design. Tem as mãos dos curadores mas deve sua qualidade editorial também à cenografia de Zaven Paré, seus assistentes e outros participantes da montagem, realizada no Museu da Casa Brasileira em agosto e setembro de 2009, em São Paulo. ¶ Se ela fosse uma composição tipográfica, seria um texto composto de forma centralizada, já que a mostra é uma conversa de semelhantes, um diálogo mudo entre iguais —ou melhor, parecidos— ora falando francês ora, português. ¶ Para exemplificar, na sala brasileira, à direita de quem entra, uma vitrine no nível do piso, ocupando toda a largura da sala, expõe dezenas de sandálias Havaianas, do mesmo modelo, da mesma cor, iguais. No lado oposto, em posição simétrica, uma vitrine semelhante, mostra dezenas de canetas Bic, cristal, azul, comuns, iguais. São talvez os ícones mais encantadores e surpreendentes da mostra, mas o que nos arrebata é o fato de que depois de olharmos as Havaianas (ou as Bics) e quando seguimos para a outra sala e nos deparamos com as canetas (ou com as sandálias) o olhar detona um diálogo interno  elucidador do pensamento projetual de seus criadores.  ¶ Na sala central, uma conversa de comadres se desenrola entre as cadeiras brasileiras e as francesas: a Rainbow Chair, desenhada em 2000 por Patrick Norguet parece perguntar para a Poltrona Mole (design de 1957) como ela consegue se manter tão atual diante de formas e tecnologias que Philip Starck desfila soberano por todos os ambientes da mostra. E tem mais conversas: o Demoiselle (Santos Dumont, 1907) tenta um papo cabeça com o Concorde (Russel, Satre, Strang e Servanty, 1967) já que ambos não voam mais. ¶ Como toda mostra de design as velhas e novas cadeiras reinam absolutas: são 17 assentos que exibem desenhos de Le Corbusier, Jean Prouvê e Stark —pelo time da França— a Paulo Mendes da Rocha, Zanine Caldas e Carlos Mota pelo lado do Brasil. E lá estão outras estrelas: o Peugeot 403 (1955) de Pininfarina, o Legacy 600 da Embraer, a bicicleta motorizada E-Solex (1946, redesenhada pela Pininfarina em 2006) debatem com a Cadeira vermelha e as Melissas dos Irmãos Campana, sobre o que é mesmo ser um ícone? Se você perdeu essa aula, o que é lamentável para quem gosta de design, procure pelo menos conhecer seu catálogo. ¶ Claudio Ferlauto

OLHAR CRIS

Criação[!], por Claudia Marinho

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O tema criação parece sempre inflamar as discussões quando associado à noção de projeto de design. Para alguns, criação e projeto são termos que não combinam, para outros, estariam eles diretamente associados.

Chico Homem de Melo, ao ser questionado sobre o seu processo criativo, afirma que ele não cria, já que esse termo implica, para ele, em uma valorização da subjetividade. Para falar de seu processo produtivo, prefere trabalhar com a noção de projeto.

Eu trabalho pouco com a noção de criação, trabalho mesmo com a noção de projeto. Dentro do projeto, eu tenho uma dimensão que é criativa, mas o projeto em si é uma atividade tão árdua que fica pouco espaço para a criação, que no meu trabalho é mínima. Eu não crio, eu não estou aqui criando, eu estou aqui trabalhando, produzindo um projeto. Isso implica, sim, em criação, mas só um pouquinho. Então, a criação não é um espaço para mim, quero dizer, não tem inspiração.

Guto Lacaz, a partir da mesma questão, afirma que não vê qualquer diferença entre fazer arte e fazer design. Para ele, em ambos os casos as noções de projeto e de criação estão intimamente ligadas.

Tudo é a mesma coisa. Eu fico comparando e vejo que no fim sempre resulta desenho, resulta pensamento, resulta que você tem que resolver um problema, esse problema ou  vem de um cliente ou é você quem inventa. Em artes plásticas, boa parte do que eu fiz é encomendado também, assim como há encomenda em design. Agora (1º semestre de 2006) , por exemplo, estou fazendo uma edição de serigrafias  para uma agência de propaganda, que encomendou uma campanha usando a letra X. Para mim é um trabalho de artes plásticas por que é serigrafia e é uma encomenda. Eu fiz um trabalho flutuante no lago do Ibirapuera com um auditório flutuante, encomenda da prefeitura.  Boa parte do que eu fiz em Artes plásticas foi encomenda. Muda o produto, que  vai ser uma pintura, vai ser uma escultura, um tridimensional, ou vai ser uma marca,  é um desenho que é uma imagem também, só que em gráfica.  As artes plásticas também são imagens, às vezes você vai compor com o texto.  O manifesto Dadaísta é uma peça gráfica e ao mesmo tempo é um documento plástico histórico, então se você for pegar caso a caso você fica embananado.

No meu  ponto de vista, antes dos nomes, valeria  mais a pena olhar para as ações e tomar  as dinâmicas dos processos de produção para relacionar os termos criação e projeto, veremos então  que alguns procedimentos de produção são comuns aos artistas e aos designers e isso pode ser um fator de aproximação e de distanciamento entre eles.

Design e criação, por Claudia Marinho

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Inicio a minha participação no blog partilhando o conteúdo de entrevistas que realizei com designers que moram e trabalham nas cidades de Buenos Aires (Alejandro Ros e Ruben Fontana) e de São Paulo (Alexandre Wollner, Chico Homem de Melo, Cláudio Ferlauto e Guto Lacaz). A partir de uma série de posts, apresento considerações que foram feitas por cada um deles sobre as relações entre os termos criação, projeto e espaço.

Para saber quem são eles:

Alexandre Wollner: http://www.wollnerdesigno.com.br/

Alejandro Ros: http://www.alejandroros.com.ar/

Chico Homem de Melo: http://www.homemdemelotroia.com.br/

Claudio Ferlauto: http://www.qu4tro.com.br/blog

Guto Lacaz: http://www.gutolacaz.com.br/

Ruben Fontana: http://www.fontana-d.com/

O editor padeiro, por Claudio Rocha

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A segunda edição da revista Tipoitalia traz um artigo sobre Alberto Casiraghy, um editor ímpar, inteligente e generoso. Ele mora e trabalha em um local mágico, em Osnago, na província de Lecco, na Itália. Eu o visitei para selecionar as imagens que ilustram o artigo. Mais do que um encontro profissional, foi uma experência surpreendente. Alberto simplesmente transcende o conceito de editor e de tipógrafo. Requisitado em toda a Europa, nos EUA, no Japão, ele se desculpa modestamente: “não tenho e-mail nem computador, senão eu iria ficar preso, cuidando da correspondência…”  A sua linha editorial é espontânea e verdadeira, como o editor : “quem sou eu para dizer o que é belo ou o que deve ser publicado?” Ele prefere, investir na cumplicidade e na liberdade de pensamento.
No artigo para a Tipoitalia, Sandro Berra, diretor do museu Tipoteca Italiana, descreve assim o homem e seu trabalho: Scripta volant *. Os livros da editora Pulcinoelefante, de Alberto Casiraghy, tem o dom da leveza e de saber se liberar em pleno vôo. O que mais poderíamos esperar destas edições “nascidas em 1992, em uma tarde de vento. E desses golpes de ar nasce a liberdade de intenções: brincadeira, ironia e sobretudo a alegria da manualidade na composição com tipos de metal e da impressão tipográfica.”
A propósito de vôo e de vento, me divirto ao imaginar que se Saint-Exupery publicasse hoje o Pequeno Príncipe, escolheria Alberto Casiraghy como tipógrafo. Seguramente se encaixaria no formato e na filosofia dos Pulcinoelefante, além de poder trabalhar (e viajar) com ele. Os Pulcinoelefante são herdeiros modernos do célebre Festina lente: a âncora e o delfim se materializam hoje em um elefante-pulga.**
Ninguém pode contestar o frescor tipográfico das edições de Alberto: ela saem do forno em uma jornada, com um odor atraente de pão quente —uma mistura natural de papel e tinta—  para ser inalado. O texto (quase sempre um aforisma) ganha vida no papel da maneira mais despojada possível, graças a um Garamond ou um Bodoni impressos com força impecável e fulminante, exatamente como deveria ser tatuada a pele de nossa alma, com o pensamento ali contido. Parece inexaurível a seiva de quase 8 mil edições de livros de artista, um número espantoso pela qualidade e pelas idéias…
Notas
* do provérbio latino «verbo volant scripta manent» (as palavras voam, a escrita permanece)
** referência à frase em latim que acompanha a marca de Aldus Manutius, festina lente (se apresse devagar)
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Veja mais em www.tipoitalia.it

Bento de Abreu autografa na Feira do livro

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Este trabalho pretende refletir sobre os modos como o olhar é construído nas interações com a cultura – a visualidade, tendo como referência as narrativas da revista Bravo! Esta análise observa não só o que manifesta o seu design visual gráfico, mas também como a revista se relaciona com seu público leitor nas diversas instâncias da vida cotidiana, considerando as diferentes maneiras como é vista e percebida e de que forma o que se entende por identidade cultural brasileira é representado nestas narrativas. Bento de Abreu

Postado por Renata Rubim

Postado por Renata Rubim

Michel Bouvet, no curso de pós-graduação Design gráfico: conceito e aplicação, da FAAP

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O evento foi uma excelente oportunidade para os jovens estudantes de design conhecer o trabalho, e principalmente, a metodologia criativa desse cartazista francês que falou (e mostrou dezenas de cartazes e fotografias) por duas horas na FAAP nesta segunda feira, 26 de outubro. ¶ Em tempo: o curso tem a coordenação de Carlos Perrone. ¶ Para quem estava lá, e teve a felicidade de participar do evento, a semana será muito mais colorida e inteligente. ¶ Começa que Michel não fala em cidade que não conhece. Veio para São Paulo com 3 dias de antecedência e circulou pela cidade no final de semana, preparando-se, pois afinal a palestra intitula-se Cartaz, uma arte de rua. ¶ Trabalhando a partir de pequenos estudos, possíveis de ser “lidos” como um selo,  Michel desenvolve suas idéias indpendentemente de softwares e preconceitos: ora usa fotografia, ora o Illustrator ou simplesmente desenha e pinta a mão, e finaliza em cartazes de grande formato (180×120cm). ¶ As imagens abaixo foram desenvolvidas para um festival de fotografias: para Michel um evento fotográfico não deve ser representado por imagens fotográficas, ainda mais uma mostra competitiva como é Les reencontres Arles Photographie. ¶ Para conhecer mais procure na Cultura ou na Amazon seus livros. Entre eles Michel Bouvet, escrito/editado por outro cartazista francês Alain le Quernec. ¶ Claudio Ferlauto

Michel Bouvet

Os conflitos da tecnologia, por um tipógrafo

sexta-feira, 23 de outubro de 2009


Mas embora a era digital tenha agora conseguido uma vitória quase total, as artes manuais não estão mortas, & não podem ser radicalmente extintas, porque satisfazem uma necessidade inerente, indestrutível e constante do ser humano. (Ainda que o homem passe o dia inteiro como trabalhador de uma empresa .com, fará alguma coisa no seu tempo livro, nem que seja cuidar de umas simples floreiras na janela.)
¶ Os dois mundos podem ver-se, um ao outro, como diferentes e sem recriminações, reconhecendo ambos o que há de bom no outro —o poder da era digital, a humanidade do artesanato. Já não há justificação para a confusão de objectivos, incongruência de métodos ou hibridismos na produção; cada um dos mundos pode deixar o outro tranquilo na sua própria esfera. ¶ Que a era digital tenha, ou não ‘vindo para ficar’ não é questão que nos interesse, mas o artesanato acompanhar-nos-á sempre (…).

Eric-Gil¶ Trocando as palavras era digital por industrialismo e .com por indústria, o texto retorna á forma original escrita por Eric Gil, em 1931. ¶ O texto está grafado em português de Portugal, e faz parte do livro Ensaio sobre tipografia, editado em 2003, pela Almedina, único sobre tipografia escrito por Eric.

¶ Eric Gill é o designer da famosa família tipográfica Gill Sans, encomendada ao designer pela Monotype para concorrer com a Futura de  Paul Renner, em seguida a empresa encomendou uma família serifada, que foi chamada de Perpetua (e sua versão em itálico, de Felicity) em função do título do primeiro livro em que foi utilizada: The Passion of Perpetua and Felicity. A outra família conhecida de Eric é a Joanna.

Contribuição local para a identidade da olimpíada que vem por aí

sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Imagem do jornal Diário de S Paulo, outubro 2009

Imagem do jornal Diário de S Paulo, outubro 2009

Claudia Marinho, de Florianópolis, também nesse Olhar

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Faces2Claudia é designer e professora de design na área digital e gráfica, além de artes contemporâneas. Tem diversos textos publicados em livros e anais de congressos da área. Doutora em comunicação e Semiótica pela PUC SP, atualmente (livre para tomar sol e ir a praia) vive e trabalha (UFSC) em Florianópolis, Santa Catarina. ¶ Passa a colaborar nesse Olhar Gráfico digital com toda a sua energia e criatividade. ¶ Bem-vinda.

Renata Rubim nesse Olhar Gráfico

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Capa Renata¶ A designer Renata Rubim desenvolve em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, um trabalho pioneiro na área do design, que dá respeitabilidade ao trabalho de profissionais envolvidos no desenho e produção de inúmeros produtos presentes no nosso cotidiano. ¶ Ela trabalha com Design de Superfície, atividade que, desde os primórdios da Revolução Industrial, qualifica produtos como tecidos e louças, isto é, superfícies bem tratadas e bem desenhadas em tecidos, tapetes, garrafas térmicas, pratos, xícaras e muitos outros produtos, como podemos conhecer e reconhecer no livro de Renata. ¶ Escrevi em 2005 esse pequeno texto para apresentar o livro Desenhando a superfície —Rosari, São Paulo— que colocou o trabalho de Renata visível para muitos designers. Desde então passou a ser chamada para mostrar seu trabalho, dar workshops e cursos por todo Brasil. Agora estará presente nesse Olhar Gráfico eletrônico. Seja bem-vinda.