Em um mundo imperativo, uma sociedade baseada em redes periféricas e centrais se desenha no maior espaço nômade jamais habitado: os comprimentos de banda, as transferências de conteúdo praticamente instantâneas com a possibilidade real de se filtrar e descartar o que não lhe pertence ou o que os indivíduos que passaram de consumidores a articuladores, provedores de conteúdo manipulam com uma energia frenética. Sejamos todos observadores de um período incerto habitado por pessoas criadas para a certeza e a durabilidade que nos proporcionará mudanças comportamentais em esferas primitivas, avançadas e paralelas. E como será o consumo em um mundo onde o centro se desloca vertiginosamente para a periferia e a periferia assume papel fundamental de condutora de sistemas ávidos por capacitação, inclusão e dedicação? Mas atenção: não falo em posicionamento geográfico.
Comunicação fluida, nômade, estática, soberana apoiada em poderosos programas estratégicos e de gestão de marcas assumem espaços até então democráticos, onde os conteúdos são escolhidos e acolhidos, retransmitidos em um sistema de marketing viral fulminante. A senha desta nova ordem abrirará e descortinará as portas para uma geração que se ipod conteúdos nas esquinas dos shoppings, dos metas espaços, que experimenta compartilhamento total em redes wimax, que se habitua com o 25º horário como se faz com o horário de verão, porém, de uma forma permanente e reciclada a cada novo fuso.
Vivemos em um tempo em que a nossa comunicação não reflete a realidade que vivemos. Direitos autorais CC*. Direitos de propriedade CC*.
Espaços primitivos das mãos, dos cartões, das impressões digitais que regem as consultas numéricas de seus cpfs, mentes e consumidores que ditam o andar da carruagem gerando o marketing inverso e o hiperconsumo, sim porque a virtualidade é medieval, a armadura que se conecta ainda é um desenho de consumo e de comportamento. Empresas que são sucesso, mas não sabem como capitalizar seus conteúdos e acessos. Agências de comunicação que ostentam feudos criativos. Assistentes on-line da disseminação virtual de conceitos, comerciais, marcas, celebridades, boatos, ondas falsas e correntes do bem estão imersos na busca da operação do seu ser em uma sociedade dominada pelo ter, seja ele em qual espaço seja – codificado.
E as empresas o que fazem para se adaptarem a uma ordem que por enquanto pode ser chamada de desordem? E esse público febril pelo digital, o que espera dos profissionais de comunicação?
Sincronismo, compartilhamento, Google, You Tube, Orkut, Msn, Sms, Facebook, Twitter, Gengibre, ftp, respostas, perguntas, co-participação, anonimato de celebridade, direção de conteúdo? Poder de escolha contemplada, gerenciada, perecível?
Não sei responder. Assim como as gerações que antes eram conhecidas por suas décadas, suas conquistas, seus posicionamentos e hoje as que são reconhecidas por X, Y, Z, igeneration, mesmo que a origem delas seja do B A BÁ, do estilo retrolucionário, modernas apesar de quase antigas.
Universos mais democráticos, forças compartilhadas, inclusão sempre, modelos sem manual e principalmente vontade de adaptação regem as senhas que serão pedidas para estas novas oportunidades de migração e emigração da comunicação direcionada aos nômades de hoje – os comunicativos em tempo integral.
*CC = Creative Commons