Arquivo de maio de 2009

Palestra: Flusser – por uma filosofia do Design

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Data: 26/05, 02,03, 09 e 10/06

Local: FEA-FUMEC – Rua Cobre, 200 – Cruzeiro.

Inscrição:

Coordenação dos Cursos de Design (31) 32283173.

No próximo dia 26, o filósofo Vilém Flusser será o foco de reflexão e debate sobre o Design, que na Universidade FUMEC. O evento, chamado “Flusser: por uma filosofia do Design”, tem como ponto de partida o livro “Mundo Codificado”, que reúne alguns dos textos mais conhecidos do filósofo sobre a situação do mundo contemporâneo na perspectiva do Design.

Para falar sobre o tema, vários estudiosos da obra de Flusser participarão do evento. O professor Norval Baitelo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, e o professor Michael Hanke, da Universidade Federal de Minas Gerais, estão entre os convidados.

A abertura será feita pelo professor Baitelo, com palestra sobre a importância do pensamento de Flusser para a compreensão do mundo e do Design contemporâneos. Nos dias 02,03 e 09 e 10 de junho, acontece o mini-curso coordenado pelo professor Michael Hanke. A programação será voltada para aqueles interessados em aprofundar a filosofia de Flusser sobre o Design, tendo como objetivo a compreensão dos processos de codificação do mundo contemporâneo.

As inscrições para a palestra e mini-curso podem ser feitas na Coordenação do Design pelo Telefone: (31) 3228-3173.

Palestra:
Data: 26/05/2009
Horário: 19h
Local: Sala 309 da FCH-FUMEC
Entrada franca

Outro Zé que se foi, músico

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Zé Rodrix com quem trabalhamos diversas vezes, incluindo o show Alice na TV realizado, pelo escritório Signovo (com Pedro Mohr e Antonio Aiello), em Porto Alegre na década de 1970. Foi-se nessa madrugada. Era uma figuraça.

Zé em Porto Alegre no show Signovo Alice na TV, anos 197o

Zé em Porto Alegre, no show Signovo, Alice na TV, anos 197o

A geração digital está em um ponto qualquer do universo ou em um universo qualquer ponto com.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Em um mundo imperativo, uma sociedade baseada em redes periféricas e centrais se desenha no maior espaço nômade jamais habitado: os comprimentos de banda, as transferências de conteúdo praticamente instantâneas com a possibilidade real de se filtrar e descartar o que não lhe pertence ou o que os indivíduos que passaram de consumidores a articuladores, provedores de conteúdo manipulam com uma energia frenética. Sejamos todos observadores de um período incerto habitado por pessoas criadas para a certeza e a durabilidade que nos proporcionará mudanças comportamentais em esferas primitivas, avançadas e paralelas. E como será o consumo em um mundo onde o centro se desloca vertiginosamente para a periferia e a periferia assume papel fundamental de condutora de sistemas ávidos por capacitação, inclusão e dedicação? Mas atenção: não falo em posicionamento geográfico.

Comunicação fluida, nômade, estática, soberana apoiada em poderosos programas estratégicos e de gestão de marcas assumem espaços até então democráticos, onde os conteúdos são escolhidos e acolhidos, retransmitidos em um sistema de marketing viral fulminante. A senha desta nova ordem abrirará e descortinará as portas para uma geração que se ipod conteúdos nas esquinas dos shoppings, dos metas espaços, que experimenta compartilhamento total em redes wimax, que se habitua com o 25º horário como se faz com o horário de verão, porém, de uma forma permanente e reciclada a cada novo fuso.

Vivemos em um tempo em que a nossa comunicação não reflete a realidade que vivemos. Direitos autorais CC*. Direitos de propriedade CC*.

Espaços primitivos das mãos, dos cartões, das impressões digitais que regem as consultas numéricas de seus cpfs, mentes e consumidores que ditam o andar da carruagem gerando o marketing inverso e o hiperconsumo, sim porque a virtualidade é medieval, a armadura que se conecta ainda é um desenho de consumo e de comportamento. Empresas que são sucesso, mas não sabem como capitalizar seus conteúdos e acessos. Agências de comunicação que ostentam feudos criativos. Assistentes on-line da disseminação virtual de conceitos, comerciais, marcas, celebridades, boatos, ondas falsas e correntes do bem estão imersos na busca da operação do seu ser em uma sociedade dominada pelo ter, seja ele em qual espaço seja – codificado.

E as empresas o que fazem para se adaptarem a uma ordem que por enquanto pode ser chamada de desordem? E esse público febril pelo digital, o que espera dos profissionais de comunicação?

Sincronismo, compartilhamento, Google, You Tube, Orkut, Msn, Sms, Facebook, Twitter, Gengibre, ftp, respostas, perguntas, co-participação, anonimato de celebridade, direção de conteúdo? Poder de escolha contemplada, gerenciada, perecível?

Não sei responder. Assim como as gerações que antes eram conhecidas por suas décadas, suas conquistas, seus posicionamentos e hoje as que são reconhecidas por X, Y, Z, igeneration, mesmo que a origem delas seja do B A BÁ, do estilo retrolucionário, modernas apesar de quase antigas.

Universos mais democráticos, forças compartilhadas, inclusão sempre, modelos sem manual e principalmente vontade de adaptação regem as senhas que serão pedidas para estas novas oportunidades de migração e emigração da comunicação direcionada aos nômades de hoje – os comunicativos em tempo integral.

*CC = Creative Commons

José Onofre, jornalista

quinta-feira, 21 de maio de 2009

José Onofre foi um dos criadores do Caderno 2 do Augusto Nunes, em             O Estado de S.Paulo, nos anos 1990, em São Paulo. Ele e Eduardo Bueno foram meus chefes/editores durante o período que escrevi sobre design, arquitetura e arte no Estadão. Em Porto Alegre foi um dos primeiros jornalistas da Zero Hora a prestar atenção no design gráfico (não tinha esse nome na época, chamava-se programação visual ou coisa parecida), escrevendo sobre as maluquíces que produziamos na cidade, organizadas no escritório Signovo Comunicação Visual no final dos anos 1960 e início dos 1970. Colaborou também no jornal Pato Macho dessa mesma época. Foi-se no início da semana.

Luis Fernando Veríssimo (O Zé) e Ruy Carlos Ostermann (Onofre), que foram colegas na ZH e no Pato , escreveram ontem, dia 20 de maio de 2009:

O Zé
Eu conhecia o José Onofre desde que ele aparecia na velha ZH com críticas de cinema para o Goida publicar. Foi um bom amigo, companheiro de arquibancada do Beira-Rio, que nos divertia com suas tiradas inteligentes. Também foi um comentarista sagaz e tinha um dos melhores textos da imprensa brasileira. Morreu nesta terça-feira, jovem demais, descuidado demais da sua própria vida. Pena, Zé.

Onofre
Ainda fui ver o José Onofre com seus amigos ao redor, muita gente dos feéricos tempos da Folha da Manhã, década de 70. Foi um companheiro desde o Israelita, em 1960, quando organizou com sua sabedoria cinematográfica a primeira central de recursos audiovisuais sob as ordens do Guilherme Filkenstein. Tinha um texto que se invejava e um humor contundente que fazia a festa da mesa de chope e exigia de cada um pouco mais de atenção na vida e na arte. Foi editor, repórter, crítico, ensaísta e pensador. Mas estava doente, não se recuperou e deixou a todos nós mais diminuídos e tristes.

José Onofre, Caderno 2, dezembro de 1990

José Onofre, Caderno 2, dezembro de 1990

A personalidade dos caractéres

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Família famosas e esquisitas

Família famosas e esquisitas

A jornalista espanhola Begoña Gómez na sua resenha sobre o filme Helvetica de Gary Hustwit, (ADN, maio 2007, Barcelona) coloca ao lado da matéria algumas famílias tipográficas que ela identifica com personagens: para ela a Garamond é a cara do Harry Potter e a Futura, de Stanley Kubrick.

Também afirma que os designers detestam a Arial e gostariam de banir a Comic Sans do planeta.

—Quais seriam seus personagens para Helvetica, para a Times e para a Verdana?

Que fontes voce varreria para sempre de seu desktop?

Octavo #1 = a boa tipografia de 1986

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Simon Johnston, Mark Holt, Michael Burke, Hamish Muir, designers ingleses, alunos de Wolfgang Weingart e outros mestres da Basiléia editaram sete números da revista Octavo, em Londres, de 1986 a 1990.

86.1 é o exemplar inicial da revista, que tem matéria de Robin Kinross sobre o tipógrafo inglês Anthony Froshaug, que trabalhou em Ulm e ainda ilustre desconhecido no Brasil. Textos de  April Greiman e David Reason, além de uma última página dedicada a Monogramas do Século XX desenhados por artistas e designers. São apenas 16 páginas, mas vale por um curso de tipografia.

Octavo #1, Londres, 1986
Octavo #1, Londres, 1986
Anthony Froshaug, Ulm, Alemanha, 1958
Anthony Froshaug, Ulm, Alemanha, 1958
Monogramas do século XX, Octavo 86.1, Londres, 1986
Monogramas do século XX, Octavo 86.1, Londres, 1986

Design gráfico: conceito e aplicação = FAAP/SP

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Carlos Perrone, Marcelo Aflalo, Rico Lins, Edi Auresnede, Fernanda Pitta, João Bandeira, Patrícia Fonseca, Claudio Ferlauto e Maria Isabel Ribeiro formam o grupo central de um curso do pós-graduação lato sensu que a FAAP/SP abre no segundo semestre de 2009.

O curso é dirigido a profissionais interessados em design enquanto conceito e reflexão teórica além de uma prática experimental criativa. É um curso para aprender a pensar e desenvolver uma atitude curiosa e criativa diante das questão colocadas pela fluidez das fronteiras da área conhecida como design.

Coordenação de Carlos Perrone

Informações = Atendimento da Pós-graduação = Lilian Naliati
3662 7070 / 3662 7467
ldnaliati@faap.br

Helvetica, o filme

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Helvetica em cartaz, detalhe, Claudio Ferlauto, 2009

Helvetica em cartaz, detalhe, Claudio Ferlauto, 2009

Tour oficial de exibição do filme Helvetica do diretor Gary Hustwit nas principais faculdades de design do Rio de Janeiro e São Paulo, organizado por Billy Bacon e Henrique Nardi.
O filme foi lançado em 2007 durante a comemoração dos 50 anos da família tipográfica mais popular do planeta e foi o primeiro documentário longa metragem sobre design gráfico

Fui assistir novamente o filme que é uma bela história cheia de personagens de nossas vidas profissionais —estão lá: Erik Spiekermann, Matthew Carter, Massimo Vignelli, Wim Crouwel, Hermann Zapf, Neville Brody, Stefan Sagmeister, Michael Bierut, David Carson, Paula Scher, Jonathan Hoefler, Tobias Frere-Jones, Experimental Jetset, Michael C. Place, Norm, Alfred Hoffmann, Mike Parker, Bruno Steinert, Otmar Hoefer, Leslie Savan, Rick Poynor e Lars Müller.

É pouco?

É um filme de afirmação das crenças de várias gerações de designers. E isto é que é emocionante e interessante.

O debate contou com a presença de Marcos Mello, Tony de Marco, Fabio Haag [de Porto Alegre], Claudio Ferlauto e os dois organizadores.

Na tela do computador: simulacro e simulação

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Clarisse Herrenschmidt,

in Les trois écritures. Langue, nombre, code, Paris, Gallimard, 2008

A tela é um espaço visual mensurado; a máquina atribui um número a cada intensidade de luz e a cada unidade minima do espaço, os pixels,—palavra que é a concatenação de picture element, do ingles, «unidade de imagem»—, definidos segundo coordenadas cartesianas. Mas os pixels quanto mais numerosos —computadores, podem ter entre 300.000 e 1.300.000 ou mais— melhor formam as imagens, sua clareza e a precisão de seus detalhes. A informação que a unidade central reenvia para a tela indica que tal pixel, situado em tal coordenada e tal abcissa deve aparecer em negro, tal outro, em branco, ou em uma determinada cor; existem alguns milhões de possibilidades, e isso nos revela o incrível poder dos números aplicados ao tratamento informático de dados na formação da cor.
O que é esse tipo de gráfica? É um simulacro. Uma página artificial, a representação de uma página, sob a sua futura forma a ser impressa por uma impressora. Isso não é menos verdade a propósito de páginas simples com um tratamento banal de texto, que nos falam de simulacro e simulação, mas refere-se a páginas com imagens em três dimensões (3D), em movimento, de realidade virtual, ou da imersão do usuário em um simulador de vôo, em uma guerra atômica, ou em um jogo medieval… Portanto, faz parte da informática não apenas a partir da máquina teórica universal de Turing, […] mas desde os primeiros computadores: eles se dedicavam desde os anos 1940 a calcular a trajetória de um míssil lançado contra um avião nos céus e predizer onde se encontrariam.
A «page» que aparece na tela como «page» não tem mais do que duas dimensões, como uma folha de papel impressa. […] Ela se revela um simulacro que exige o julgamento e a intervenção do usuário. […] Do simulacro nasce a simulação: quer dizer a experiência real do futuro por meio daquilo que é mostrado —simulacro— e a ação sobre esse simulacro. Se a simulação de base científica é mais antiga que a informática, e dessa maneira ela definiu um dos modos mais formidáveis de conhecimento sem experimentação, […] e foi importante na formação dos indivíduos que produziram a informática. É por meio da simulação que a ciência da informática conquistou seu estatuto intelectual.
Simulacro e simulação fazem parte da escrita informática em seu nível mais imediato. Neles reside um aspecto das transformações da escrita. De um lado trabalhamos sobre um documento que é um simulacro, e por outro lado, nosso trabalho é uma acão sobre ele; […] Dessa aparente transparência nasce a impressão que a máquina e nosso cérebro se comprendem. De outra parte, o que produzimos no computador, na tela e depois na impressora, aproxima-se daquiloque se publica nos livros, jornais e revistas, e esses autores se dividem em dois grupos, se me permitem essa simplificação. De um lado, aqueles que se deixam seduzir pelo simulacro e aperfeiçoam sua produção textual com muito pouco cuidado; ou seja, o estilo literário, a precisão de termos, o apreço à sintaxe, e a adequação do pensamento à língua, tendem a se esfacelar diante de uma bela aparência obtida com rapidez; […]
O fenômeno é bem conhecido, e visto nas pesquisas feitas por estudantes de todos os níveis. Os outros são seduzidos fortemente pela simulação, o que significa uma infinidade de retoques. Estes corrigem sem cessar, tendem à perfeição e sofrem para colocar um ponto final do texto. […] Pela porta do simulacro e da simulação, a informática divide/separa usuários segundo sua cultura —isso será ainda mais drástico diante da massa de conhecimento sem hierarquia e sem processos de verificação que estão disponíveis nos sites da rede/web.

O designer como editor

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O designer é hoje muito mais um editor que deve ser capaz de conversar com os outros editores —de conteúdo, de tecnologia, de produção— do que um criador solitário e independente.
Para Jessica Helfand, Good designers in Screen, Princeton Architectural Press, 2001: Bons designers são bons editores porque são capazes de escolher entre uma solução e outra. Editar sugere uma metodologia básica de trabalho que não é apenas uma escolha de modelos formais mas decisões que dão formas aos conceitos.