Arquivo de março de 2009

[ Design :

terça-feira, 31 de março de 2009

Design é um processo único de experiência e inteligência com aderência sensorial produzido em um sistema metodológico, objetivando o desenvolvimento e a comunicação de competências filosóficas e ideológicas gerando atitude estratégica compreensiva de posicionamento competitivo para o serviço, produto e ou marca.

Perspectivas: Grito e Escuta

terça-feira, 31 de março de 2009

A edição deste 2009 da Bienal do Mercosul, antes mesmo da abertura oficial, que será no dia 26 de setembro, em Porto Alegre, já apresenta novidades. Sua identidade visual parte de instigante processo de conceituação e design realizado pelos próprios curadores. É isso mesmo: os curadores editoriais Erick Beltrán (México) e Bernardo Ortiz (Colômbia) desenvolveram um projeto embasado numa
equação visual, “um isotipo que integra e relaciona a Fundação Bienal do Mercosul, a 7ª edição do evento como partes indissolúveis de um todo”.
Para tanto criaram um símbolo dinâmico – “que cresce e se transforma como um organismo vivo, mas que mantém a sua identidade”. Os pontos do isotipo da 7ª Bienal representam as sete exposições que serão exibidas e as linhas representam seus três programas: Projeto Pedagógico, Programa Editorial e Radiovisual. A combinação destes dez elementos gera mil e oitocentas combinações e formatos.
Criado a partir de uma retícula, o isotipo é, nesta concepção, um habitat do organismo vivo, a própria 7ª Bienal do Mercosul. Suas proporções caracterizarão todo o sistema de publicações, baseado no padrão internacional de medidas de papéis, segundo a norma ISO 216 – Formato A, observando o uso escalonado de seis formatos – A1, A2, A3, A4, A5 e A6. Cada formato associa-se a um nível de leitura e de análise de obras.
”O isotipo, assim como a 7ª Bienal do Mercosul, se articula como um sistema caracterizado pela mobilidade contínua. Esta mobilidade, que está na base de todo processo criativo, nutre as ações desta Bienal, que são pensadas para um espectador participativo e aberto aos acontecimentos.” Mais em www.fundacaobienal.art.br

Na identidade visual do evento, a marca aparecerá nos itens de papelaria, website, materiais gráficos e publicitários sempre com uma versão diferente. Um programa para gerar todas combinações possíveis está sendo desenvolvido. Para evitar repetições, as versões que forem sendo aplicadas serão automaticamente excluídas. Conforme a mídia, aparecerá em movimento.

É uma Bienal de artistas e designers, que organizam as exposições, desenvolvem as ferramentas e programas educativos, e coordenam a comunicação e o sistema de publicações. A curadoria editorial propõe mover-se como a câmera no vídeo Powers of Ten, datado de 1977, dos designers norte-americanos Charles e Ray Eames – disponível em http://powersof10.com e nos YouTubes da vida. No vídeo, que foca um casal em um piquenique num gramado em Chicago e foi distribuído pela IBM, o encaixe métrico é explorado em escalas de 10, no tamanho do universo conhecido e no tamanho da menor partícula subatômica conhecida na época. Na Bienal de 2009, a curadoria editorial propõe “vincular-se e trabalhar com todos os programas, exposições e obras da 7ª Bienal, a partir do entendimento de que todo ponto de vista oferece um panorama igualmente complexo” – distanciar-se até o infinito para, em seguida, realizar uma aproximação também infinita e penetrar em células subatômicas. “Acercarse o alejarse de algo implica activar distintos modos de relaciones entre las cosas.”
Os múltiplos sistemas de leitura deverão favorecer que público acesse a Bienal a partir de infinitos pontos de vista, sempre diferentes.

O título do evento deste ano – Grito e Escuta, evoca a importância de explorar a comunicação multidirecional – entre um mundo em conflito e um artista que escuta e responde. Permite muitas ilações, muitas questões.
Faz pensar na relatividade, na perspectiva, na infinitude, na grandeza, na pequenez.

E faz lembrar dos Eames, cada vez que acessamos o Google Earth.

Marília Ryff-Moreira Vianna

Signovo, Porto Alegre-São Paulo, 1968-1975

domingo, 29 de março de 2009

O nome foi criado sob a influência do trabalho de Décio Pignatari —que passou por Porto Alegre, RS, no final da década de 1960— que tratava de semiótica, computação e inovação. Na cidade, naquele momento, existiam só dois escritórios que trabalhavam na área de desenho industrial e programação visual: o de José C. Bornancini e Ivan N. Petzold, mais dedicado ao desenho industrial, e o de Norberto Bozzetti, à comunicação visual. ¶ Formados em arquitetura fomos seduzidos pela programação visual por contatos com a ESDI Escola Superior de Desenho Industrial, RJ, por meio do trabalho de Décio e Julio Plaza, no convívio com Carmem Portinho, sua diretora, e pelas aulas de Nelson Petzold na Faculdade de Arquitetura da UFRGS, que cursamos de 1964, ano do golpe militar a 1968, ano da edição do Ato institucional nº5. ¶ Nossas atividades foram iniciadas com projetos de arquitetura —reformas, arquitetura interna de apartamentos e uma igreja em Santo André, SP—mas logo se focaram em projetos comunicacionais interdisciplinares para shows e lançamentos de produtos, com música ao vivo e gravada, cenários tradicionais e cenários visuais criados com a projeção de filmes de 16mm e de sistemas de projeção de slides —multivisão da Kodak— com participação de atores, modelos e bailarinos. Telões de vídeo eram novidades e raridades inacessíveis em Porto Alegre dos anos 1960. ¶ Ficamos no Rio Grande até 1972, quando mudamos para São Paulo, apoiados em nossos principais clientes: a Metalúrgica Wallig e a MPM Propaganda. Na capital paulista Antonio Aiello se retirou da sociedade para trabalhar na Wallig. ¶ O SIGNOVO, então instalado na Rua Bahia, em Higienópolis, trabalhava com identidade corporativa, embalagem, arquitetura promocional, e sistemas audiovisuais. ¶ Em 1975, Pedro Mohr decidiu voltar para São Leopoldo, RS, sua cidade natal, e então encerramos as atividades do SIGNOVO. ¶ Resgatamos aqui parcelas da produção realizada de 1968 a 1975 por Antonio Aiello, Pedro Mohr, Claudio Ferlauto, por profissionais e amigos que trabalharam nesse período, em Porto Alegre e em São Paulo. ¶ As escolhas, erros e omissões são de minha total responsabilidade, Claudio Ferlauto. 31 de dezembro de 2008.

ZéRodrix e Succo em show Signovo, Porto Alegre, anos 1970

ZéRodrix e Succo em show Signovo, Porto Alegre, anos 1970

Claudio Rocha e Orlando Pedroso

sexta-feira, 27 de março de 2009

¶ Orlando Pedroso e Claudio Rocha são artistas gráficos, cada um na sua. 
Um ilustrador, o outro designer, mas desenhistas antes de mais nada. Orlando é o ilustrador “da Folha”, Claudio, o tipógrafo criador da revista Tupigrafia 
e de outras iniciativas tipográficas pioneiras. O primeiro vive em São Paulo, 
o outro, está morando em Genova, Itália. ¶ São meus velhos amigos, daqueles que vemos com assiduidade paulistana, ou seja, de vez em quando, a cada ano. Mas Orlando, encontramos semanalmente no jornal; Claudio, regularmente na revista e por meio do e-mail. ¶ Em 2008 os dois organizaram mostras de seus trabalhos mais particulares. De um, o portfólio de trabalhos dirigidos para o público infantil. De outro, um site com desenhos intitulados Máscaras de pedra e Máscaras de papel. ¶ O portfólio resume a participação de Orlando em mais de 60 livros infantis; o site do Claudio [www.claudiorocha.art.br] reune desenhos de cadernos de notas, realizados durante viagens de trem entre a Ligúria e o Veneto, enquanto que as 
Máscaras de pedra são pintadas sobre os sassi (seixos) do litoral de Genova.
¶ O dois projetos tem a força das coisas naturais e humanas, e possuem um primor gráfico estupendo. Claudio Ferlauto

Claudio Rocha, Genova, Itália, 2008

Claudio Rocha, Genova, Itália, 2008

[caption id="attachment_35" align="aligncenter" width="227" caption="Orlando, ilustração para livro infantil"]Orlando, ilustração para livro infantil[/caption]

“Nova Programação Visual Rede Minas de Televisão” – Eduardo Braga

sexta-feira, 27 de março de 2009

para ler: artigo publicado no centro português de design

“Nova Programação Visual Rede Minas de Televisão” – Eduardo Braga

O que é a assinatura em movimento? Escrita: tempo, tipografia… Movimento: escritura, registro… Texto: identidade, fala, traço, sílaba, esboço, geração de conceito verbal… Texto visual: cpf digital.

Registro de falanges sociais, territórios imaginários de nossa mente binária, compilações de uma verdadeira história regional, olhar mundial alterado pela realidade diária, trabalho verdadeiro, tiro certeiro, composições geométricas e orgânicas, desprovidas da obsessão dos argumentos técnicos. O fazer consciente, imagem diferente, tipografia que transmite, informa, transforma dados em conhecimento, constrói, apresenta e transgride a sua tela – visão ampliada não em sinal analógico/digital – mas sim em pesquisa, história, conceito, vontade do nosso universo.
Leia ou não, nossa nova tela vai te ver.

Perceber a ação ? ler o cotidiano.

Redefinir relações de conteúdo e marcar territórios via satélite com traço próprio. Ações cotidianas de produção e transmissão, escrever as formas, transformar os caracteres em imagem, imaginar as imagens em letras, textos e títulos. Informar, questionar, discutir a legibilidade, propor a ação da leitura, codificar uma escala de ruídos, compor a estética através da ergonomia, dos eixos x e y, das gerações dos 20, 30, 40, e todas as demais. Ampliação da sensibilidade do receptor, da luta contra o modelo do cabo, do padrão do sinal aberto, do conteúdo a ser transmitido e compreendido em bits-átomos.

O nome de tudo talvez seja percepção e reação.

Vivenciar pequenas imagens, grandes realidades, grandes faces, brutais e gigantescas: capitalismo, globalização, robotização. A falência dos sistemas tradicionais, o pluralismo eletrônico, a babilônia gráfica, a desconstrução. A transformação da tipografia, a tecnologia que amplia e cria universos virtuais. A percepção única e total do designer e seus modos de escrever a história gráfica, tipografia.

Não somos o código, somos o conteúdo.

Ver não se evita.

Em um mundo cercado e prisioneiro das imagens, onde os sons podem ser gráficos e as imagens tipográficas, como compor a mensagem dos tempos atuais?

É preciso conectar e traçar as linhas, a fim de se criar uma identidade própria, local ? seus registros, regional. Os registros, globais, aqueles registros, tipografia, nossa história narrada com toda a retórica que exige a cultura mineira e nacional.

Foi com todos estes questionamentos e posicionamentos que, em fevereiro de 2002, assumi o compromisso e a responsabilidade de criar, implantar e coordenar, com todas as letras, o Núcleo de Design da Diretoria de Produção e Programação da Rede Minas de Televisão, criado pelo projeto Evolução. O objetivo era o de apresentar uma nova identidade, não só para a programação da emissora, mas uma identidade verdadeira, que fosse ao encontro das propostas do projeto em curso e, principalmente, da missão da Rede Minas. E, para tanto, desenvolvemos tipografias específicas para os programas, com a intenção de resgatar e apresentar a verdadeira face cultural de cada um deles. Os projetos, que não se limitam a imagens, mas sim a uma história gravada ao longo dos minutos, expressam nossa cultura e nossa personalidade únicas, nestes ares Gerais de nosso tempo.

O resultado foram janelas abertas para nossa história, nossa sociedade, nossa atmosfera. E, principalmente, a vontade de se construir uma linguagem que experimente e que busque esgotar possibilidades de design, em um veículo tão influente e poderoso que é a TV. Foi este norte que nos moveu para o sul, sudeste e para todos os sentidos, buscando um único e importante resultado: um trabalho verdadeiro, que não quer se conectar com a obrigatoriedade de seguir tendências, padrões, mas correr todos os riscos da evolução da linguagem gráfica. Vinte e uma identidades visuais para programas de nossa grade, todas com um padrão tipográfico específico, e mais quatro identidades de projetos em curso na emissora que seguem a mesma orientação. Diversas vinhetas institucionais que têm como base de sustentação e informação a tipografia, seja em camadas de informação, e/ou em camadas de imagens, ruídos e rupturas.

Traço profundo.

Para o desenvolvimento dos projetos mencionados acima, utilizamos uma metodologia apoiada no design de informação, que nos permite comunicar e, ao mesmo tempo, revelar conhecimentos.
Em todas as etapas de desenvolvimento de nossos projetos o texto esteve presente integralmente, seja nas entrevistas (orais e posteriormente redigidas), realizadas pelos designers com os diretores dos programas, seja na compreensão e assimilação dos conteúdos dos programas, apresentados via oral e magnetizados, ou, finalmente, na geração dos textos-conceito para cada programa. O resultado não poderia ser outro senão a tipografia a favor da transformação dos dados, transformada em conhecimento e aplicada na verificação destes dados, transformando-se em sabedoria. Mas qual será esta sabedoria, na era da informação? Leitura de uma imagem, compreensão integral do repertório de um nome representativo referente a um conteúdo, ou assimilação de novos conceitos gráficos em um meio mágico que se chama TV?… Para ver!

Sejam bem-vindos às novas realidades virtuais da nossa nova vida real.