para ler: artigo publicado no centro português de design
“Nova Programação Visual Rede Minas de Televisão” – Eduardo Braga
O que é a assinatura em movimento? Escrita: tempo, tipografia… Movimento: escritura, registro… Texto: identidade, fala, traço, sílaba, esboço, geração de conceito verbal… Texto visual: cpf digital.
Registro de falanges sociais, territórios imaginários de nossa mente binária, compilações de uma verdadeira história regional, olhar mundial alterado pela realidade diária, trabalho verdadeiro, tiro certeiro, composições geométricas e orgânicas, desprovidas da obsessão dos argumentos técnicos. O fazer consciente, imagem diferente, tipografia que transmite, informa, transforma dados em conhecimento, constrói, apresenta e transgride a sua tela – visão ampliada não em sinal analógico/digital – mas sim em pesquisa, história, conceito, vontade do nosso universo.
Leia ou não, nossa nova tela vai te ver.
Perceber a ação ? ler o cotidiano.
Redefinir relações de conteúdo e marcar territórios via satélite com traço próprio. Ações cotidianas de produção e transmissão, escrever as formas, transformar os caracteres em imagem, imaginar as imagens em letras, textos e títulos. Informar, questionar, discutir a legibilidade, propor a ação da leitura, codificar uma escala de ruídos, compor a estética através da ergonomia, dos eixos x e y, das gerações dos 20, 30, 40, e todas as demais. Ampliação da sensibilidade do receptor, da luta contra o modelo do cabo, do padrão do sinal aberto, do conteúdo a ser transmitido e compreendido em bits-átomos.
O nome de tudo talvez seja percepção e reação.
Vivenciar pequenas imagens, grandes realidades, grandes faces, brutais e gigantescas: capitalismo, globalização, robotização. A falência dos sistemas tradicionais, o pluralismo eletrônico, a babilônia gráfica, a desconstrução. A transformação da tipografia, a tecnologia que amplia e cria universos virtuais. A percepção única e total do designer e seus modos de escrever a história gráfica, tipografia.
Não somos o código, somos o conteúdo.
Ver não se evita.
Em um mundo cercado e prisioneiro das imagens, onde os sons podem ser gráficos e as imagens tipográficas, como compor a mensagem dos tempos atuais?
É preciso conectar e traçar as linhas, a fim de se criar uma identidade própria, local ? seus registros, regional. Os registros, globais, aqueles registros, tipografia, nossa história narrada com toda a retórica que exige a cultura mineira e nacional.
Foi com todos estes questionamentos e posicionamentos que, em fevereiro de 2002, assumi o compromisso e a responsabilidade de criar, implantar e coordenar, com todas as letras, o Núcleo de Design da Diretoria de Produção e Programação da Rede Minas de Televisão, criado pelo projeto Evolução. O objetivo era o de apresentar uma nova identidade, não só para a programação da emissora, mas uma identidade verdadeira, que fosse ao encontro das propostas do projeto em curso e, principalmente, da missão da Rede Minas. E, para tanto, desenvolvemos tipografias específicas para os programas, com a intenção de resgatar e apresentar a verdadeira face cultural de cada um deles. Os projetos, que não se limitam a imagens, mas sim a uma história gravada ao longo dos minutos, expressam nossa cultura e nossa personalidade únicas, nestes ares Gerais de nosso tempo.
O resultado foram janelas abertas para nossa história, nossa sociedade, nossa atmosfera. E, principalmente, a vontade de se construir uma linguagem que experimente e que busque esgotar possibilidades de design, em um veículo tão influente e poderoso que é a TV. Foi este norte que nos moveu para o sul, sudeste e para todos os sentidos, buscando um único e importante resultado: um trabalho verdadeiro, que não quer se conectar com a obrigatoriedade de seguir tendências, padrões, mas correr todos os riscos da evolução da linguagem gráfica. Vinte e uma identidades visuais para programas de nossa grade, todas com um padrão tipográfico específico, e mais quatro identidades de projetos em curso na emissora que seguem a mesma orientação. Diversas vinhetas institucionais que têm como base de sustentação e informação a tipografia, seja em camadas de informação, e/ou em camadas de imagens, ruídos e rupturas.
Traço profundo.
Para o desenvolvimento dos projetos mencionados acima, utilizamos uma metodologia apoiada no design de informação, que nos permite comunicar e, ao mesmo tempo, revelar conhecimentos.
Em todas as etapas de desenvolvimento de nossos projetos o texto esteve presente integralmente, seja nas entrevistas (orais e posteriormente redigidas), realizadas pelos designers com os diretores dos programas, seja na compreensão e assimilação dos conteúdos dos programas, apresentados via oral e magnetizados, ou, finalmente, na geração dos textos-conceito para cada programa. O resultado não poderia ser outro senão a tipografia a favor da transformação dos dados, transformada em conhecimento e aplicada na verificação destes dados, transformando-se em sabedoria. Mas qual será esta sabedoria, na era da informação? Leitura de uma imagem, compreensão integral do repertório de um nome representativo referente a um conteúdo, ou assimilação de novos conceitos gráficos em um meio mágico que se chama TV?… Para ver!
Sejam bem-vindos às novas realidades virtuais da nossa nova vida real.