DESIGN GRÁFICO SUSTENTÁVEL, de Brian Dougherty + estúdio Celery Design Collaborative, Rosari, S.Paulo
O caminho do estúdio de design até o longínquo ecossistema florestal é longa, mas as escolhas de papel feitas pelos designers têm um impacto direto no que acontece em faixas amplas da área florestal do planeta. Podemos pensar que fazemos parte do ramo das fontes e imagens, mas nosso consumo de fibra também torna os designers gráficos os principais protagonistas na indústria de produtos florestais. Dessa maneira, nossas escolhas têm um impacto no desflorestamento, na extinção de espécies, no aquecimento global e em outras questões ambientais globais. ¶ Os designers podem fazer três coisas para minimizar os impactos negativos das fibras que usam: Usar fibra reciclada pós-consumo; Usar fibra virgem sustentável; Usar fibras alternativas, sintéticas. ¶ As fibras alternativas são outra forma de evitar danos florestais por meio da compra de papéis porque eles vêm de uma fonte de fibra que não são as árvores. As árvores não são a fonte de fibras ideal para o papel: elas demoram muito tempo para crescer e, particularmente, não são eficazes no que se refere ao espaço. A madeira era um recurso barato e abundante quando a indústria do papel se desenvolveu no Ocidente, e as tecnologias e a infraestrutura da indústria se baseiam na transformação das árvores em papel. Isso significa que fibras alternativas devem concorrer uma indústria de há muito estabelecida. ¶ O bambu é uma fibra alternativa que ganhou muito destaque no mercado papeleiro norte-americano. Ele cresce mais rápido que a madeira e pode florescer a partir de raízes já fixadas, sem precisar ser replantado. Isso ajuda a minimizar a perda do solo arável. Porém, a maior parte do bambu vem da Ásia e deve ser transportada longas distâncias —o que exige uma quantidade considerável de energia. ¶ O kenaf [hibisco da Índia oriental], o cânhamo e o linho são cultivos de rápido crescimento que têm sido usados na fabricação de papel. Vários produtos de kenaf e cânhamo chegaram ao mercado, mas, até agora, nenhum obteve um grande sucesso. Esses e outros cultivos especiais prometem mudar a nossa fonte de fibras para cultivos renováveis anualmente que possam crescer com poucos pesticidas em condições climáticas diferentes. ¶ O resíduo agrícola, ou agropolpa, talvez seja a fonte de fibras mais promissora porque usa partes de um cultivo agrícola que não são usadas como alimento ou outro propósito primário. Dessa maneira, a agropolpa extrai o máximo de uma matéria perdida e não requer terras agrícolas especiais. O bagaço de cana já teve algum progresso no mercado de papel norte-americano. Diversos fabricantes introduziram o bagaço em papéis não revestidos que estão disponíveis para os designers. Palha de trigo, fibra de banana e palha de arroz estão sendo usadas em outras partes do mundo. Até agora, no entanto, nenhum grande fabricante da América do Norte se comprometeu de fato com essas fontes promissoras de fibras. ¶ Fiapos de algodão têm sido usados há muitos anos em papéis sofisticados. Os fiapos são fibras relativamente curtas que sobram depois que o algodão é colhido e processado para os tecidos. A maioria dos papéis designados como algodão na América do Norte é produzida a partir de fiapos. Os fabricantes podem classificar essa fibra como reciclada porque ela usa resíduos agrícolas. ¶ Vale notar, no entanto, que o cultivo tradicional do algodão consome uma quantidade enorme de fertilizantes e pesticidas tóxicos. Pouquíssimas empresas papeleiras pequenas opraram por favorecer os produtores orgânicos e evitar o algodão convencional, altamente poluente. ¶ Uma última fonte de fibra que devemos considerar não é uma fibra. Os papéis sintéticos têm sido desenvolvidos para mercados especializados há bem mais de uma década, e alguns poucos produtores fornecem esses papéis para a impressão ofsete e rotativa na América do Norte. O livro Cradle to Cradle, de William McDonough, foi impresso em papel sintético para demonstrar um ponto de vista: que não deveríamos nos limitar à variedade dominante de materiais quando podemos imaginar um sistema melhor. Teoricamente, se houvesse lucro e infraestrutura para esse tipo de material, ele poderia ser refeito e voltar a circular indefinidamente. Na prática, não estamos nem perto dessa situação, mas ela definitivamente suscita um bom desafio para os designers.