Designers do pós da FAAP

3 de setembro de 2010

Revista Abigraf # 248, julho-agosto 2010

Os designers em geral, e os visuais em particular, e aqui estão incluídos os gráficos e os webdesigners, estão cada vez mais envolvidos em relações com profissionais de outras áreas. Não só para tratar dos conteúdos, de argumentos ou de narrativas mas também por motivos técnicos envolvidos na produção e na funcionamento dos sistemas. Além disso os designers devem dominar o verbal não apenas para o diálogo, mas sobretudo para organizar a criação.    ¶ O curso de pós-graduação em design gráfico da FAAP, coordenado por Carlos Perrone, trabalha vários aspectos paralelos e fundamentais da vida cultural e tecnológica essenciais ao desenvolvimento profissional dos designers.    ¶ Projetos  de design editorial, que incluem a escritura e edição de textos e imagens, fazem parte de sua grade curricular. Ver revista Abigraf #248.

Design gráfico verde, desafio para os designers

3 de setembro de 2010

DESIGN GRÁFICO SUSTENTÁVEL, de Brian Dougherty + estúdio Celery Design Collaborative, Rosari, S.Paulo

O caminho do estúdio de design até o longínquo ecossistema florestal é longa, mas as escolhas de papel feitas pelos designers têm um impacto direto no que acontece em faixas amplas da área florestal do planeta. Podemos pensar que fazemos parte do ramo das fontes e imagens, mas nosso consumo de fibra também torna os designers gráficos os principais protagonistas na indústria de produtos florestais. Dessa maneira, nossas escolhas têm um impacto no desflorestamento, na extinção de espécies, no aquecimento global e em outras questões ambientais globais. ¶ Os designers podem fazer três coisas para minimizar os impactos negativos das fibras que usam: Usar fibra reciclada pós-consumo; Usar fibra virgem sustentável; Usar fibras alternativas, sintéticas.    ¶ As fibras alternativas são outra forma de evitar danos florestais por meio da compra de papéis porque eles vêm de uma fonte de fibra que não são as árvores. As árvores não são a fonte de fibras ideal para o papel: elas demoram muito tempo para crescer e, particularmente, não são eficazes no que se refere ao espaço. A madeira era um recurso barato e abundante quando a indústria do papel se desenvolveu no Ocidente, e as tecnologias e a infraestrutura da indústria se baseiam na transformação das árvores em papel. Isso significa que fibras alternativas devem concorrer uma indústria de há muito estabelecida.          ¶ O bambu é uma fibra alternativa que ganhou muito destaque no mercado papeleiro norte-americano. Ele cresce mais rápido que a madeira e pode florescer a partir de raízes já fixadas, sem precisar ser replantado. Isso ajuda a minimizar a perda do solo arável. Porém, a maior parte do bambu vem da Ásia e deve ser transportada longas distâncias —o que exige uma quantidade considerável de energia.   ¶ O kenaf [hibisco da Índia oriental], o cânhamo e o linho são cultivos de rápido crescimento que têm sido usados na fabricação de papel. Vários produtos de kenaf e cânhamo chegaram ao mercado, mas, até agora, nenhum obteve um grande sucesso. Esses e outros cultivos especiais prometem mudar a nossa fonte de fibras para cultivos renováveis anualmente que possam crescer com poucos pesticidas em condições climáticas diferentes.    ¶ O resíduo agrícola, ou agropolpa, talvez seja a fonte de fibras mais promissora porque usa partes de um cultivo agrícola que não são usadas como alimento ou outro propósito primário. Dessa maneira, a agropolpa extrai o máximo de uma matéria perdida e não requer terras agrícolas especiais. O bagaço de cana já teve algum progresso no mercado de papel norte-americano. Diversos fabricantes introduziram o bagaço em papéis não revestidos que estão disponíveis para os designers. Palha de trigo, fibra de banana e palha de arroz estão sendo usadas em outras partes do mundo. Até agora, no entanto, nenhum grande fabricante da América do Norte se comprometeu de fato com essas fontes promissoras de fibras.   ¶ Fiapos de algodão têm sido usados há muitos anos em papéis sofisticados. Os fiapos são fibras relativamente curtas que sobram depois que o algodão é colhido e processado para os tecidos. A maioria dos papéis designados como algodão na América do Norte é produzida a partir de fiapos. Os fabricantes podem classificar essa fibra como reciclada porque ela usa resíduos agrícolas.       ¶ Vale notar, no entanto, que o cultivo tradicional do algodão consome uma quantidade enorme de fertilizantes e pesticidas tóxicos. Pouquíssimas empresas papeleiras pequenas opraram por favorecer os produtores orgânicos e evitar o algodão convencional, altamente poluente.   ¶ Uma última fonte de fibra que devemos considerar não é uma fibra. Os papéis sintéticos têm sido desenvolvidos para mercados especializados há bem mais de uma década, e alguns poucos produtores fornecem esses papéis para a impressão ofsete e rotativa na América do Norte. O livro Cradle to Cradle, de William McDonough, foi impresso em papel sintético para demonstrar um ponto de vista: que não deveríamos nos limitar à variedade dominante de materiais quando podemos imaginar um sistema melhor. Teoricamente, se houvesse lucro e infraestrutura para esse tipo de material, ele poderia ser refeito e voltar a circular indefinidamente. Na prática, não estamos nem perto dessa situação, mas ela definitivamente suscita um bom desafio para os designers.

Textos clássicos do design gráfico, Martins Fontes

11 de agosto de 2010

Michel Bierut, Jessica Helfand Rick Poynor e Steven Heller são os organizadores desta obra que reúne os textos fundantes do design —em particular da sua vertente gráfica e visual. Os quatro designers-editores acima relacionados fazem parte das duas principais “gangs” (de designers intelectuais) novaiorquinas que comandam ou participam dos blogs underconsideration e designobserver, além de estarem sempre presentes nas revistas Print, Eye e no AIGA Journal of Design. ¶ Textos clássicos do design gráfico, editado no Brasil pela Martins Fontes, reúne textos do séculos XIX e XX que abarcam as idéias do movimento Arts & Crafts, da Bauhaus, do Construtivismo, passam por textos polêmicos dos anos 1960 (McLuhan, Susan Sontag) e chegam até escritos dos mestres Wolfgang Weingart, Massimo Vignelli e Victor Papanek. E de diversos pioneiros na área da tipografia ¶ Para quem imagina que o mundo existe apenas depois da criação da internet e das redes sociais, este é um livro fundamental, ou seja, uma obra para conhecer os fundamentos do design a partir de fontes originais. ¶ Publicado originalmente nos EUA pela Allworth, em 1999, na série Looking Closer, que é coordenada pela AIGA. www.wmfmartinsfontes.com.br

Proposta para Águas do Amazonas

5 de agosto de 2010
Marca desenvolvida por QU4TRO Arquitetos SP, com coordenação de Gilmar Altamirano

Marca desenvolvida por QU4TRO Arquitetos SP, com coordenação de Gilmar Altamirano. Setembro, 2009.

Ilustradores no Senac da Sipião, Lapa, SP

4 de agosto de 2010

I-Br-7

Férias e fim de férias

3 de agosto de 2010

Picture 1Picture 2

Reproduzindo as ideias de Ronald Kapaz e a marca da Copa:

3 de agosto de 2010

Por que uma marca fechada para um país aberto? Por que a sensação de confinamento provocada pela forma das mãos, em vez de uma sensação de celebração, alegria e festa que são naturais do evento e do Brasil? Por que exaltar a forma do troféu, criando um dorso inesperado e uma figura misteriosamente triste? Por que vejo “basquete”, quando deveria ver “futebol”? Por que “torção”, quando poderia ser “torcida”? Por que um desenho tão inseguro e impreciso, quando poderia ser a imagem de um Brasil maduro e moderno?

O segundo tópico é o resultado: todos nós pudemos ver que só houve críticas à marca escolhida, e temos de ter ou desenvolver ferramentas para instrumentar essa avaliação. Fico me perguntando por que sabemos a diferença entre um Romero Brito e um Roy Lichtenstein, entre Dostoievski e Paulo Coelho, e achamos que no tema do design não temos como julgar, ou tememos nos autointitular responsáveis pela definição do que é “bom design”, que é bem diferente de dizer o que é “belo”. Nosso trabalho não é feito e não deve ser portanto julgado como uma “simples” questão de gosto, que autorize qualquer júri eminentemente “popular” a ser a régua de valor que possa medir resultados.

Brasil nas Copas

27 de julho de 2010

Copa-Jules-Rimet

Navilouca dos anos 1970

22 de julho de 2010

NaviloucaNavilouca (1972), publicação carioca, tinha na sua capa entre os inúmeros artistas populares, os poetas concretos Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos. Pensando bem, muito das liberdades compositivas e tipográficas que usufruimos hoje, devemos a estes três pensadores verbo-visuais, Assim como devemos nossas liberdades cromáticas aos artistas psicodélicos, em particular a Victor Moscoso e aos cartazistas cubanos e poloneses (em especial a Henryk Tomaszewski) que criaram peças magníficas nas últimas décadas do século XX. O legado dos artistas brasileiros aqui enfocados —desde os poetas citados passando pelos maestros Julio Medaglia, Damiano Cozzela e Rogério Duprat e chegando aos popularíssimos Tom Zé, Torquato Neto, Caetano, Gil, não devem ser desprezados por nenhuma das geracões eletrônicas ou internéticas que estão no mercado ou se formando na universidade e no mercado. Rogério Duarte, Luciano Figueiredo e Oscar Ramos, entre muitos, forjaram o vocabulário conhecido como tropicalista que, de resto, é o vômito antropofágico das vocalizações internacionais contestadoras, das loucuras, das experiências baratas, das visões formadas pelo uso de drogas, todas elas típicas das décadas de 1960 e 1970. Ou ainda por desespero existencial e político em função da falta de perspectivas criativas, a partir de 1968, tendo em vista que no Brasil a ditadura militar abortou esse parto criativo bem em seu início. A partir de então passamos de atores para espectadores das mudanças do mundo. E isto vai até o final dos anos 1980, quando, quase do nada, caimos de boca na grande aventura evolucionária da era digital.

Time Out, Londres, década de 1970

21 de julho de 2010

TimeOutA revista Time Out, nos anos 1970, foi o mais importante guia cultural da cidade de Londres no Reino Unido. Na época era uma “navilouca” underground, com inclinações esquerdistas e contestadoras. As capas, abaixo, tratam respectivamente do uso de cocaina, da morte de J.F.Kennedy, do massacres dos índios Cintas Largas, no Brasil, e de outras etnias indígenas na América do Sul, e, a última,  do affair de John Lennon e Yoko Ono. Sua visualidade era pioneira na apropriação de imagens vernaculares, reproduções de gravuras antigas, charge, caricatura e uma diagramação que, embora montadas sobre um rigoroso grid/grade tradicional, exalava um aroma de transgressão e desbunde  típicos do período. Suas principais matérias jornalísticas eram, quase sempre, políticas. Além de indicar filmes, peças de teatro, livros e outras atvidades culturais da swinging London, ela tinha uma forte seção de poesia, de ações políticas e sociais (agit prop), de comida (eating out), e clasificados sem preconceitos, que lembram alguns sites contemporâneos. Outra nave útil naquele período, foi o Domebook 2, que ao lado da publicação intitulada Shelter, era tripulada por centenas de jovens que desejavam construir suas casas sem os limites estabelecidos pelas convenções e que tinham uma visão mais avançadas que a dos arquitetos do grupo inglês Archigram.  O principal guru destes loucos navegantes era um engenheiro-designer-arquiteto dos EUA,  chamado Buckminster Fuller, o inventor  das cúpulas geodésicas. [Publicado na revista Abigraf #248, 2010]